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Brasília, 20 de setembro de 2009.
“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana.” (Sl 143.10)
Amados irmãos,
Quanta saudade senti e ainda sinto de vocês! A minha vontade era ir em casa antes de voltar para Brasília para estar com vocês, com minha família e com meus amigos, mas isso faz parte do treinamento de que preciso, pois muitas vezes irei demorar a poder voltar em casa!… Mas Deus me consola, ele está comigo sempre! É muito bom senti-lo cada dia mais perto de mim e conhecê-lo cada dia mais como consolador na hora da angústia.
O ATTS (Acampamento de Treinamento Transcultural na Selva) chegou ao fim! Esses dois meses na selva me ensinaram muito!
Tivemos aulas de saúde (apliquei injeção, aprendi a fazer sutura, respiração boca-a-boca etc.), aulas de antropologia, noções de uma língua indígena, o papel e a postura da mulher em contexto de aldeia (e os homens tiveram a aula deles separadamente), aprendemos a linguagem internacional de radiofonia, tivemos aulas práticas como: fazer instalações elétricas, como manusear um serrote e uma serra elétrica manual, como usar a bússola, fizemos mesas e bancos de madeira, aulas de cozinha, aulas de remo, de pesca, de nós…
Por fim, passamos um tempo em uma aldeia. Foi um tempo muito gostoso e de muito proveito! O povo nos ensina bastante! Crianças pequenas já sabem remar, pescar, fazer cestos, cozinhar!!! Em muitos momentos me senti incapaz, pois o meu arroz saia queimado, só pesquei uma piabinha de 5cm e não conseguia remar direito!… Mas Deus estava sempre me falando que ele estará ao meu lado e me capacitará para a obra para a qual ele me escolheu.
O ATTS é uma experiência muito boa para o missionário saber um pouco do que o espera no campo, por ter a oportunidade de viver com missionários experientes e aprender com eles e com o povo. É melhor do que ter de enfrentar tudo sozinho quando for ao campo definitivo. Sou grata a Deus por ter me dado a oportunidade de passar por esse treinamento.
O acampamento foi muito bom para me mostrar o quanto eu não sei! Mas reconhecendo isso não estou dizendo “eu desisto”, estou dizendo: “tenho de depender inteiramente de Deus e tenho plena certeza de que ele me capacitará e estará comigo sempre, pois a obra não é minha, a obra é dele”.
Na volta eu e a Beth (amiga aqui do curso) resolvemos descer com os missionários Oseas e José Carlos para conhecer mais duas etnias e fazer divulgação da Missão ALEM na cidade de Altamira (PA). Em vez de termos como meio de transporte o confortável barco que teríamos se optássemos ir embora com o restante dos alunos, nosso meio de transporte foi um rabetão (uma canoa grande com um motor bem fraco). Foram dois dias de viagem debaixo do sol quente (foi preciso muito protetor solar; mesmo assim estou bem morena), o rio já estava baixo e houve um trecho em que o piloto nos deixou em uma ilha e fomos a pé até o outro lado para que fosse possível o rabetão passar por um trecho que estava muito raso, pois esse é um período de pouca chuva e por isso o rio fica baixo. Após passar nas aldeias prosseguimos viagem de voadeira (que é mais potente do que o rabetão), pensamos então que a viagem seria muito melhor, porém no meio do rio, quando já avistamos (de longe) a cidade de Altamira, que era o nosso destino, a gasolina acabou e ficamos no meio do rio sem ter para onde ir. Mas o nosso Deus, que está sempre conosco, enviou um barco para o qual pedimos socorro e ele nos rebocou (a viagem que era para durar três horas e meia durou quase seis horas!).
Na viagem de rabetão havia momentos em que eu me deitava no pequeno espaço existente e ficava com as pernas para fora da rabeta, quase encostando na água, então eu pensava: “será que estou segura aqui!?” E o que Deus me dizia era que não existe lugar mais seguro do que o lugar em que ele quer que estejamos.
Agora parto para a última etapa do curso aqui em Brasília. Orem para que Deus continue me abençoando e para me dar forças e sabedoria, pois esta última etapa promete ser a mais difícil!
Tentei expressar um pouco do que foi o ATTS para mim, mas sei que as palavras não são capazes de expressar tudo o que vivi e aprendi durante esse tempo!...
Aos que oraram e contribuíram para que eu pudesse realizar este meu sonho: muito obrigada! Este tempo foi a confirmação de que é isso mesmo: prossigo no meu preparo para trabalhar com povos indígenas, e isso não tem volta!
No amor de Cristo,
Deborah Wanderley Rigamont Bragança
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